Certificação, sim ou não?

Olá pessoal,

A ideia de escrever este artigo surgiu após ver nos grupos de WhatsApp do DBA BRASIL inúmeras discussões sobre certificações e o interesse e divergência de opiniões que este assunto gera em grande parte dos profissionais de TI. CERTIFICAÇÃO na área de TI é um assunto bastante polêmico, por este motivo pedi a participação de outros amigos e colegas dos grupos DBA BRASIL, que são profissionais experientes (de nível Sênior para cima), a exporem as suas opiniões individuais sobre as tão famosas certificações. Escolhi a dedo estes profissionais, selecionando exatamente aqueles que eu sabia que teriam opiniões formadas e diferentes sobre o assunto!

Eu sou um dos profissionais que são a favor das certificações, considerando o fato principal de que elas poderão te ajudar em sua carreira (pois na minha elas ajudaram muito)! Tenho ciência de que nem tudo são flores (e isso você verá nos comentários abaixo de alguns de nossos colegas), de que o mundo não é perfeito, e que existem alguns pontos negativos com relação às certificações, porém preferi expor a minha opinião levando o assunto mais para o lado prático do que para o lado filosófico do assunto. Para que este artigo não fique demasiadamente longo, sugiro que você leia o meu artigo na íntegra através do link “Certificações, o que são e como obtê-las? Elas são anjos ou demônios?“.

Abaixo você verá a opinião de diversos profissionais que me encaminharam por e-mail os seus comentários sobre o assunto. Se você quer obter mais conhecimentos sobre o que são as certificações, leia tudo abaixo e tire as suas próprias conclusões:

 

Certificacoes-de-TI

 

Douglas PaivaDBA e instrutor especializado em Oracle

Esta discussão é algo bem complexo entre os profissionais de TI (principalmente DBAs), seria mais ou menos como discutir se um copo com 50% de água está metade cheio ou metade vazio, ou seja, vai depender do seu ponto de vista. Na minha modesta opinião, vale a pena ter sim! A mim pelo menos elas nunca atrapalharam e pelo contrário, só me abriram portas. Quando você tem uma certificação, você tem em mãos um atestado de determinada empresa atestando/confirmando/publicando a quem possa interessar que você é apto a trabalhar com sua tecnologia. Ninguém melhor do que o “dono” da tecnologia para atestar que alguém conhece de seu produto. Você confiaria em um médico sem CRM? Um advogado sem OAB? Um engenheiro sem CREA? Eu não, e acho que você também. Pois bem, comparando esses profissionais (acima) com nós DBAs, teremos uma pequena desvantagem do ponto de vista da avaliação para se obter o certificado, pois é evidente que os processos de avaliação para essas profissões são bem mais rigorosos se comparado ao processo de certificação de TI em que você só estuda faz uma prova e pronto.

Pois bem, o que deprecia um pouco o processo de certificações em TI hoje em dia são algumas “facilidades” que se criaram e também o modelo das provas que são aplicadas (somente provas teóricas, na minha opinião deveriam ser provas 100% práticas). Isso acabou banalizando e tirando (até certo ponto) o valor das certificações, mas mesmo assim elas são válidas e vão lhe ajudar muito. Quem dá o devido valor a sua certificação é você:
– Se você quer uma certificação só para falar que tem e colar na parede, colocar na sua assinatura do email, linkedIn e etc o caminho é muito curto, basta decorar os tais “braindumps” que existem por aí, garanto que em um mês você tem uma certificação, porém acredito que ela não vai valer muita coisa, pois é natural no ser humano, memorizar aquilo que você pratica e não aquilo que você decora, então quando você se deparar com alguma situação onde tenha que aplicar na prática o que a certificação diz que você sabe, meu amigo, você vai ficar na mão e fazendo aquela cara de samambaia para o seu chefe, pois você vendeu para ele algo que não poderia entregar.
– Se você quer uma certificação como um diferencial no seu currículo, o caminho é mais longo e mais doloroso, também mais caro e desafiador, mas esse vale a pena! Como falei antes é bem mais fácil reter na memória aquilo que você faz e não o que decorou, então o caminho será baseado em três itens: estudar, estudar e estudar. Como? Isso é algo um pouco particular pois cada um tem um método que melhor se adapta para aprender as coisas, mas um bom caminho seria: fazer um treinamento focado na prova da certificação (de preferência oficial), pois no treinamento você verá os assuntos abordados na prova tanto do ponto de vista teórico como prático. Monte seu próprio laboratório e faça tudo na prática (faça, refaça, destrua tudo, construa outra vez), isso é muito bom e vai te ajudar a entender o “porquê” das coisas. Use simulados (eu falei simulados e não braindumps) para você ir se adaptando com o clima da prova, tipos de questões, tempo de resposta etc… Vá anotando o seu progresso, isso te ajuda a saber quando será o momento de ir para a prova (afinal você só consegue melhorar aquilo que você é capaz de medir). Feito tudo isso, enfim faça sua prova, é bem provável que você seja aprovado (para não dizer com certeza!).

Então temos dois caminhos para as mesmas provas de certificação, um bem prático e rápido onde você vai tirar sua certificação bem próximo dos 100% de aproveitamento na prova, que você “pensa” que vai te agregar, mas na verdade é o oposto. Outro bem mais longo e doloroso em que você vai passar na prova ali raspando no limite, mas esse com certeza vai valer a pena! Pois sempre que você for exigido terá as respostas e solução de maneira muito rápida, devido aos estudos.

Se você tirar a sua certificação pelo caminho correto (estudando) ela terá muito valor sim e vai te ajudar bastante na sua carreira, não só para conseguir um bom trabalho, mas também para se manter nele, e lembre-se quanto mais você sabe, mais caro pode ficar a sua mão-de-obra, e seguindo por essa linha nada melhor do que uma certificação para alavancar esse processo. Há profissionais (mais experientes) que não compartilham da mesma ideia, falam que certificações não valem de nada, não fazem diferença alguma, não agregam conhecimento nenhum, essa opinião não é a mesma que a minha, eu acredito muito que uma certificação pode lhe abrir muitas portas, ela pode ser um bom critério de desempate em um processo de seleção por exemplo. Há muitas empresas que por força contratual com seus clientes precisam de profissionais certificados. Se você almeja pegar algum projeto de nível internacional também é outro tipo de situação em que a certificação vai lhe ajudar demais. Profissionais que estão ingressando no mercado agora, estes mais do que qualquer outro vão se beneficiar de uma certificação, pois a barreira maior para se ingressar neste caso é a falta de experiência prática, mas se você já estudou e tirou as certificações básicas tenha certeza de que já será visto com outros olhos. Enfim, isso é assunto para um longo debate, mas para concluirmos, certificações podem sempre lhe ajudar, talvez em algum momento ela não lhe ajude tanto, mas atrapalhar com certeza não vai. Mas lembrem-se, há duas maneiras de certificar-se, uma delas é enganando o mercado de trabalho e a você mesmo e a outra é estudando e aprendendo de verdade onde com certeza todo seu investimento de tempo e dinheiro será recompensado. A escolha é sua!

 

Fábio CotrimDBA especialista em SQL Server e um dos fundadores do grupo DBA BRASIL

Quando vejo a definição de certificação como sendo “Ato ou efeito de certificar(-se) a exatidão de alguma coisa” penso na quantidade de profissionais que fazem questão de falar “SOU CERTIFICADO” e, na hora da crise, têm dor de barriga, ou desligam o telefone, ou “pedem uma ajuda” para um profissional que, muitas vezes, ele desprezou por não ser certificado. Não sou contra a certificação, sou contra os profissionais que acham que isso diz que ele é melhor que os outros. Uma certificação, nos modos que vemos, Oracle e SQL Server (que são as que conheço) diz que o profissional soube passar em uma prova, e não que ele conhece sobre o produto em questão.

Já trabalhei com diversos profissionais “certificados” que não sabiam nem montar um join com 3 tabelas, perdiam-se na lógica; conheço MVPs (Microsoft Most Valuable Professional) que só sabem copiar e/ou traduzir artigos de terceiros. Em contrapartida, já trabalhei com profissionais que não tinham nenhuma certificação, mas que resolviam todos os problemas que eram passados a eles. Resumindo, uma certificação não é imune à falta de caráter das pessoas.

A certificação indica que o certificado soube responder corretamente X% das questões de uma prova, se ele realmente sabia responder ou ele se decorou um DUMP, ela não faz a distinção. Uma coisa que sempre combato, é aquele iniciante que, antes de ter experiência com o produto, já pensa em “tirar” uma certificação, para “valorizar o passe”. Isso, na minha opinião, é como um curioso que sabe a teoria sobre pilotar carros de corrida, vai muito bem em videogames, mas nunca dirigiu nem um kart; você, como chefe da Equipe Mercedes da Fórmula 1, contrataria esse cara para substituir o Lewis Hamilton?

 

Fábio TelesDBA especialista em PostgreSQL

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa de opiniões fortes, tanto na forma quanto no conteúdo. Então vou tentar fazer um esforço de escrever de forma um pouco mais racional, para não acharem que se trata apenas de torcida organizada sobre o assunto.

Eu tomei contato com as certificações pela primeira vez na década de 90, quando estavam em alta as certificações da Novell. Já nesta época tirar uma certificação era sinônimo de reconhecimento profissional e investimento em termos de tempo e dinheiro. Tirar uma certificação lhe daria credibilidade no mercado, mas lhe custaria tempo para estudar e dinheiro para pagar cursos oficiais, provas e livros. A primeira coisa que fica claro é que as certificações são uma fonte de receita fácil para quem vende um produto. Vender certificação pode incluir a venda de livros oficiais, pagar para fazer a prova e até mesmo te obrigar a fazer um curso oficial para obter o tal certificado, que no final é um pedaço de papel, como o diploma da faculdade.

Em 2016 participei de um debate sobre a regulamentação do mercado de TI. Minha opinião sobre o assunto é semelhante à da SBC (Sociedade Brasileira de Computação): Não contribui com o mercado, não contribui com o profissional, não contribui com as instituições de ensino, mas pode contribuir com um pequeno grupo de pessoas interessadas em criar um conselho regulador e cobrar taxas para que os profissionais exerçam sua profissão. Assim como você não precisa de um diploma de jornalismo para trabalhar como jornalista, você não precisa de um diploma para trabalhar com informática. Isso não significa que os cursos de jornalismo ou de informática deixariam de existir, não é mesmo? A mesma lógica se aplica às certificações, mas de formas diferentes.

Existem diversos tipos de certificação. Então seria uma boa ideia separar cada uma delas. Existem certificações voltadas para profissionais que estão iniciando sua carreira no mercado de informática. Uma vez dei um curso para pessoas que queriam tirar certificação Oracle. Nenhum deles tinha experiência prática como DBA e nem estavam interessados em aprender do começo. Além da experiência, a bibliografia deles no assunto era nula ou quase nula. Ou seja, eles queriam apenas passar na prova. E como profissional e educador, isso me incomodou profundamente, nunca mais dei um curso desse tipo. Estas provas em geral são apenas um questionário preenchido num computador com uma duração definida. Existem provas que você pode até mesmo fazer em casa no seu computador. Eu já tirei certificação Oracle assim. Estudei uma tarde e fiz a prova à noite. Passei fácil e não precisei colar.

O que uma prova assim diz sobre a minha pessoa? “Eu tenho bons conhecimentos sobre o assunto” ou “Eu tenho uma boa capacidade de memorização” ou “Eu tive acesso à uma boa “cola”. Certificações para iniciantes podem ser uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Quando o mercado de trabalho está fraco, sobram candidatos e as empresas costumam colocar a certificação como um pré requisito para a vaga. Quando o mercado está aquecido, achar um bom profissional é mais difícil e estas regras são mais flexíveis. O problema é que ao contratar o profissional que tem mais certificações, que fez cursos oficiais e coisa e tal, você pode estar perdendo os melhores profissionais, os autodidatas, os que tem experiência prática mas não tem certificação, etc. E para o profissional, significa ter um custo enorme a mais para ingressar no mercado. Agora se você não é autodidata e quer fazer um curso para aprender sobre determinada tecnologia, existem excelentes opções, mais baratas e melhores que os cursos oficiais daquela tecnologia. Eles não tem o “selo” do fornecedor, mas são ministrados por profissionais reconhecidos, como por exemplo os cursos do próprio Fábio Prado ou do Ricardo Portilho, falando aqui sobre Oracle.

Na Timbira temos uma boa tradição em cursos também. Como não existe certificação para PostgreSQL, os cursos são focados em problemas reais dos nossos clientes. Muitas vezes fazemos cursos sob medida para um cliente, para atacar um problema real que ele tem. Fazemos também o que chamamos de “Cursotoria”, uma consultoria misturada com treinamento que dá ao cliente um resultado concreto e onde todos os participantes se envolvem mais energicamente.

Existem certificações mais avançadas e no estilo “hands on”. Ou seja, te dão um terminal com uma situação problema e você tem um tempo limitado para resolvê-lo. São certificações muito mais confiáveis em termos de metodologia, as pessoas que passam nestes exames realmente tem que ter mais conhecimento e experiência. Em geral as pessoas que passam nestas provas são profissionais já reconhecidos no mercado e que podem pagar caro pelo custo deste tipo de certificação. Em alguns casos você só pode fazer a prova nos EUA por exemplo. Se o profissional já é experiente, uma certificação não amplia muito a sua empregabilidade. Profissionais de alto nível são raros no mercado e a maioria já está bem empregada, com ou sem certificação.

Na comunidade de PostgreSQL houve uma longa discussão se deveríamos ou não criar uma certificação oficial. Após pesar os prós e contras, a comunidade decidiu em não criar, ou pelo menos não focar esforços nisso. Existe muita coisa importante para fazer em prol do PostgreSQL e certificação não é uma delas no momento. A avaliação da maioria é que ter um produto com boa qualidade é o que faz ele competitivo no mercado e tem muita coisa no roadmap pela frente. Divulgação e ações de advocacy também são importantes e precisam melhorar, mas as certificações não tem sido uma barreira para o crescimento até o momento. Pelo menos essa é a percepção que eu tenho acompanhado na comunidade internacional.

Existe um cenário onde eu concordo que a certificação tem seu valor. Em órgãos públicos, contratar empresas para prestar serviço é um grande desafio. Há tempos atrás a Caixa Econômica Federal fez uma licitação onde a empresa que prestaria suporte em PostgreSQL tinha que comprovar que possui profissionais que atuaram no desenvolvimento do PostgreSQL nos últimos anos. Hoje, quase todos os desenvolvedores ativos do PostgreSQL no Brasil estão na Timbira. É complicado fazer uma licitação onde o critério elimina a concorrência. Por isso outras empresas não adotaram este tipo de edital. A maioria prefere exigir que as empresas tenham profissionais certificados em determinada tecnologia. Isso afasta as empresas pernetas que ganham licitações com um preço muito baixo e sem profissionais qualificados. Realmente licitações públicas são um problema sério no Brasil. Este é um caso onde a certificação pode ajudar. Mas ainda acho que isso é uma forma crua de contornar um problema maior: o modelo de licitação pública que é ruim e dificilmente pune as empresas ruins. Os certificados de capacidade técnica em licitações também são fornecidos pelo Zé da esquina e falsificados sem o menor pudor. Se os maus fornecedores fossem punidos com mais rigor, os picaretas sumiriam. É um assunto longo e extenso que não diz respeito ao tema aqui discutido, nem tenho tanto conhecimento assim para entrar nesta área. O ponto é que as certificações podem ser uma muleta válida neste tipo de situação. Veja que isso não inclui a contratação direta de profissionais, que deve ser feita por concurso público, onde as certificações não fazem a menor diferença, pois a prova do concurso pode ser moldada às expectativas do contratante com muito mais assertividade.

As certificações podem sim ser um bom guia de estudos. Mas ainda acredito que a bibliografia hoje disponível pode lhe guiar muito melhor. Acredito que as certificações tem um certo fetiche para os profissionais. Ser reconhecido e alcançar um objetivo lhe confere algum status e dá uma sensação de realização que é importante para o ser humano. Eu gosto de ter este tipo de realização de outra forma, enfrentando outros desafios. Você pode não ter desafios reais no seu trabalho, mas pode criar seus próprios desafios e metas pessoais. Montar um laboratório e tentar atingir um objetivo prático ainda é na minha opinião a melhor forma de aprender. Foi assim que eu comecei com banco de dados, catalogando os discos do meu pai num banco de dados. É assim que faço até hoje com meu laboratório em casa. É assim que consigo compartilhar boa parte do conhecimento que tenho acumulado nestes anos como profissional de informática.

 

José Laurindo ChiappaDBA especialista em Oracle e administrador do grupo ORACLE BRASIL

Eu mesmo só vim obter minha primeira certificação, mais avançada, há aproximadamente dois anos atrás (Oracle Database 11g Certified Implementation Specialist). Antes disso eu tinha obtido certificações entry-level de DB2 v10 e de Guardium devido a cursos/treinamentos feitos quando trabalhei na IBM, mas eu já tinha construído a minha carreira muito antes delas, então creio estar numa situação que me habilita a comentar sobre Certificações e seus efeitos….

O primeiro ponto é que realmente, uma Certificação, em tese, indica que há algum conhecimento no ponto certificado, mas com exceção feita às Certificações master-level, todas as outras são compostas por perguntas tiradas diretamente da Documentação (ou do material de Treinamento). Ora, por definição, esse material tem que cobrir extenso conteúdo, então ele TEM que ser genérico, tem que servir pra um montão de cenários, não há como ele se aprofundar em nada. Da mesma forma, para não ficar sujeito à ações na justiça e à perda de imagem, nem Documentação nem material de treinamento de fornecedor nenhum de software gerenciador de banco de dados fala sobre BUGs, sobre work-arounds, sobre as limitações do produtos, sobre utilização de recursos avançados e complexos. Assim, uma Certificação “normal” (exceção feitas às mais Avançadas, repito) :

a) Não certifica conhecimento sobre nada que não seja o mais básico do básico, os cenários mais gerais. Um corolário desta consequência é que, ao contrário do que muitos ERRADAMENTE acreditam, estudar para uma Certificação NÃO VAI ter dar conhecimento prático a ser aplicado nas Empresas, de forma alguma. A Certificação, assim, é um fim em si mesma, NÃO SERVE como fonte de estudos para um novato, nem nada do tipo;

b) Não indica o NÍVEL de conhecimento do produto, já que versa apenas e tão somente sobre conceitos mais básicos. Todos dão uma disfarçada nas perguntas, falando “o DBA x tem na sua empresa o cenário tal e qual, qual a resposta correta”, mas necessariamente a resposta é limitada, é a aplicação de algum conceito por demais básico, quase sempre. E inclusive, uma derivação disso é que se alguém mais experiente vai responder a prova, ele conhece inúmeras outras respostas tecnicamente corretas e muito mais aplicáveis no cenário proposto, mas a resposta considerada ‘correta’ é mesmo aquele ponto básico tirado da documentação, que muitas vezes um Assistente, uma GUI, uma built-in que na prática não funciona adequadamente por limitações práticas, mas essa é a resposta exigida, ou seja, as Empresas não sabem o que estão “comprando” quando eventualmente exigem certificação para alguma posição mais exigente.

c) Já que a Certificação deve ter algum nível de rejeição por uma questão de imagem (a noção do vulgo é que se qualquer um consegue obter a Certificação ela não tem valor), existem inúmeras perguntas do tipo ‘pegadinha’ , onde uma vírgula, um ‘SEMPRE’, uma palavra ou algo assim é que elimina a resposta. É em muitos casos muito mais um teste de atenção e interpretação de textos do que um meio de aferir conhecimento técnico real.

d) Não serve DE FORMA NENHUMA como indicador da experiência na utilização do produto, devido aos itens acima. A única maneira de se avaliar experiência continua sendo o Teste Técnico somado com a Entrevista Técnica. Esse é, aliás, o principal erro na metodologia de uso das Certificações numa Avaliação por parte das Empresas. Elas (de forma absurdamente errônea) supõem que se o candidato é Certificado ele tem a experiência necessária, ignorando que a Certificação certifica o nível mais baixo possível, mais genérico.

Porém, é um fato que, embora dessa maneira errônea e inapropriada, as Empresas conhecem sua existência e querem utilizar as Certificações como uma ferramenta a mais na avaliação de um Candidato (e até por isso já são relativamente comuns vagas/colocações onde certificações são requisitos). Nesse cenário a minha Recomendação para os leitores é :

1. NÃO conte com a Certificação como algo que vai agregar conhecimento, a não ser que você seja um novato total que ainda tem dúvidas sobre conceitos básicos;
2. Dada a expectativa das empresas, vá atrás de Certificações, mas conte o investimento (que não é pouco nem barato) numa Certificação como um PEDÁGIO, uma “taxa” a mais que você paga para ter acesso a algumas posições de algumas empresas – é um mal necessário.
3. Uma outra linha de pensamento é considerar a Certificação como um ‘fator de desempate’, um diferencial a mais que você apresenta e que os outros não tem. Realmente, se você estiver participando de um processo seletivo e você é um finalista junto com outra pessoa, com tempos de experiência similares, vivência similares, características pessoais e exigências salariais similares, mas você tem uma Certificação qualquer e o outro candidato não, por via de regra você é o escolhido. Sim, mas que fique claro, isso só quando há EMPATE – com Absoluta e Total certeza, se você for o candidato com menos experiência, com menos recursos/vivência, mas for o único Certificado, isso **** Não vai **** te salvar.

A minha conclusão é que, se você tiver a condição mínima para fazer, faça sim as certificações que puder (até por causa da Exigência que se nota no mercado), mas considere isso um investimento a fundo perdido, pois é algo que PODE te dar retorno a longo prazo, mas também pode não dar. NINGUÉM garante que os x mil reais reais que você investiu (somando Cursos, livros/material de apoio, preço das provas, etc) VAI ser efetivo para a sua colocação. Quem falar diferente, que é uma CERTEZA COMPLETA E ABSOLUTA o retorno financeiro desse investimento, não está sendo completamente honesto, em minha opinião!. E como eu disse antes, retorno em termos de Conhecimento Técnico normalmente vai ser NULO ou quase isso, a não ser que você seja um novato bem inexperiente, mesmo! E EXPERIÊNCIA você ganha trabalhando na prática OU acompanhando aplicação da experiência de outros, seja ao vivo ou seja em Fóruns e grupos de Usuários.

 

José Mário BarduchiDBA especialista em Oracle e um dos administradores do grupo DBA BRASIL

“Eu sou totalmente a favor das certificações. Por diversos motivos e em diferentes momentos elas podem ser um diferencial. Por exemplo, se você é um profissional em início de de carreira e oferece alguma certificação, isso pode ajudar em um processo seletivo já que você não possui muita experiência. Qual parâmetro um profissional de RH poderia usar para selecionar um profissional para seu primeiro emprego? Com certeza, as certificações tem um peso grande nesse ponto. Mesmo para profissionais mais experientes, as certificações também ajudam. Sabemos que hoje em dia o primeiro contato dos profissionais é feito, em geral, por profissionais de RH. Uma das formas de filtro de profissionais são as certificações. E um dos modos do profissional demonstrar que está atualizado e que tem conhecimento do assunto é a certificação.

Aqui vai um comentário à parte: a certificação é uma das maneiras, mas está longe de ser a única, para o profissional se destacar. Acho que trata-se de um dos itens que somado a outros fatores, constroem e demonstram o perfil e capacidade do profissional. Existem processos seletivos que as certificações são pré-requisito. Existem empresas que precisam ter o profissional certificado pois seus clientes exigem isso. Vários são os exemplos. Eu tenho algumas certificações (OCA 10g, OCP 10g e 11g, OCE RAC 11g) e posso garantir que elas nunca me atrapalharam, pelo contrário. As três últimas certificações me renderam, entre outras coisas, e além do conhecimento, 30% de aumento salarial.

Obviamente só certificações não bastam para diferenciar os profissionais. Elas são apenas provas teóricas que tentam medir o seu conhecimento. Muito se discute o valor das certificações hoje em dia, principalmente pela questão da existência de dumps e dos “profissionais” que decoram as respostas para fazer a prova (entre outros problemas). Eu acredito que esses “profissionais” pagarão o preço no futuro, pois o próprio mercado de trabalho demonstrará que trapacear não vale a pena. E claro, nada, nunca, em momento algum, a certificação vai substituir o conhecimento, prática e experiência.

SUGESTÃO: estude, simule, monte ambientes distintos e, se puder, faça as provas. Se elas não te ajudarem, atrapalhar não vão!

 

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